
Não sou de comoção fácil, mas não pude deixar de verter uma lágrima ao ver este filme. Baseado em factos verídicos, retrata o genocídio da população Tutsi pela minoria Hutu no Ruanda. A crueldade, o menosprezo pela vida, o sofrimento inqualificável, comovem. E depois, a vergonha de pertencer a este lado Ocidental do mundo que abandonou aquela gente à sua sorte. Se há uma imagem que me ficará é a da evacuação dos cidadãos Ocidentais por tropas especiais, deixando os nativos ao seu destino, a morte. Um milhão de mortos em meia dúzia de dias foi o resultado sangrento da Revolução.
Lembro-me de ver as imagens na televisão ao tempo, em 1994. Mas a perspectiva humana, a dor das crianças e das mães, o massacre vivido na primeira pessoa, não passa nas notícias. E como dizia um fotógrafo no meio daquele massacre, as pessoas dirão “que horror, Meu Deus!” e continuarão o jantar.
Por falar em Deus, em que filha da puta de lua se esconde o Criador quando cá em baixo se mata desta forma? Que desígnios são estes?
Para terminar gostaria apenas de relembrar que o ódio racista e xenófobo leva a isto. Dá que pensar. Se alguma coisa nos distingue, não é, de certeza, a cor da pele… Nem o facto de termos nascido no outro lado da vida.

João Soares, o candidato Socialista à Câmara Municipal de Sintra (o segundo maior concelho do país, e já se sabe como é calculado o salário dos presidentes de Câmara!) disse que, caso não ganhe as eleições, não será vereador. É mais um caso típico de prioridades, as pessoais primeiro, as do munícipio, a seguir.
Hoje, às 16H00, o primeiro-ministro, Engº. José Sócrates e o Engº. Belmiro de Azevedo, presidente do grupo Sonae, vão juntos carregar no botão que demolirá as torres da Torralta em Tróia.



