ImprecisõesOctober 7, 2005 8:22 am

Não sou de comoção fácil, mas não pude deixar de verter uma lágrima ao ver este filme. Baseado em factos verídicos, retrata o genocídio da população Tutsi pela minoria Hutu no Ruanda. A crueldade, o menosprezo pela vida, o sofrimento inqualificável, comovem. E depois, a vergonha de pertencer a este lado Ocidental do mundo que abandonou aquela gente à sua sorte. Se há uma imagem que me ficará é a da evacuação dos cidadãos Ocidentais por tropas especiais, deixando os nativos ao seu destino, a morte. Um milhão de mortos em meia dúzia de dias foi o resultado sangrento da Revolução.

Lembro-me de ver as imagens na televisão ao tempo, em 1994. Mas a perspectiva humana, a dor das crianças e das mães, o massacre vivido na primeira pessoa, não passa nas notícias. E como dizia um fotógrafo no meio daquele massacre, as pessoas dirão “que horror, Meu Deus!” e continuarão o jantar.

Por falar em Deus, em que filha da puta de lua se esconde o Criador quando cá em baixo se mata desta forma? Que desígnios são estes?

Para terminar gostaria apenas de relembrar que o ódio racista e xenófobo leva a isto. Dá que pensar. Se alguma coisa nos distingue, não é, de certeza, a cor da pele… Nem o facto de termos nascido no outro lado da vida.

ImprecisõesSeptember 26, 2005 1:41 pm

Por impedimento profissional não tenho actualizado o blog com a frequência que pretendo. Mas fica aqui a promessa que ainda hoje o farei.

Porque raio é que estou a escrever isto, se só eu leio este blog? A demência toma-me… é o que é!

ImprecisõesSeptember 9, 2005 9:33 am

Este é o site que mais me surpreendeu nos últimos anos. Chama-se Time e diz de si:

On June 17th, every year, the family goes through a private ritual: we photograph ourselves to stop a fleeting moment, the arrow of time passing by.

Um ritual familiar surpreendente. Vejam o passar do tempo aqui.

Imprecisões 8:15 am

Este é um projecto de criação de imagens a várias mãos. A partir de uma imagem dada, os participantes desenvolvem o tema até que seja dado por completo. Uma ideia brilhante que não é actualizada desde 2004, mas que pode interessar a quem queira criar uma sítio português que a continue, nestes ou noutros moldes.

Criam-se tantos Blogues sem interesse (vejam o caso deste), sem ideias, sem conteúdo, quando há tanto que se pode fazer. Aos amantes das artes gráficas fica lançado o repto.

ImprecisõesSeptember 8, 2005 9:15 am

João Soares, o candidato Socialista à Câmara Municipal de Sintra (o segundo maior concelho do país, e já se sabe como é calculado o salário dos presidentes de Câmara!) disse que, caso não ganhe as eleições, não será vereador. É mais um caso típico de prioridades, as pessoais primeiro, as do munícipio, a seguir.

Esta afirmação não é, contudo, tão extraordinária quanto a proferida por Santana Lopes. O ex-primeiro-ministro, para assumir o seu lugar de deputado, teria que deixar a CML até ao dia 12 deste mês. Fê-lo ontem, depois de algumas semanas de ponderação (?). Mas adiantou que o fazia até “orientar” a sua vida, na sua carreira de advogado “em escritório próprio” como frisou. Isto é, fá-lo não para o bem-comum e para a defesa dos superiores interesses da nação, mas para ganhar tempo para se “endireitar”.

E se dissermos que isto é preocupante, adianta?

Imprecisões, Pessoal 8:15 am

Hoje, às 16H00, o primeiro-ministro, Engº. José Sócrates e o Engº. Belmiro de Azevedo, presidente do grupo Sonae, vão juntos carregar no botão que demolirá as torres da Torralta em Tróia.

Foram até distribuidos binóculos para que o público que assista ao espectáculo, a partir da outra margem, não perca nenhum pormenor . Não é todos os dias que, num tempo máximo previsto de 8 segundos, duas torres “pesadélicas” vêm abaixo. E a cobertura televisiva do evento prevê-se exaustiva, como em tudo em Portugal. Já se sabe que os telejornais vão perder 30 minutos a mostrar e remostrar as imagens, com explicações técnicas aprofundadas acerca do fenómeno. Hoje, pelas 21H00, vamos ser todos especialistas em demolições, que é coisa que pode fazer jeito, nunca se sabe.

Mas é incorrecto usar o termo implosão para o que se vai passar. Implosão é, por exemplo, o que acontece com uma estrela moribunda, em que o seu núcleo se torna tão denso que atrai toda a matéria periférica da estrela. Isto é, a estrela esmaga-se contra ela própria, dando lugar a um buraco negro, que não é mais (ao que se julga) que a estrela toda “implodida” num núcleo tão denso que exerce sobre o espaço que o rodeia uma força gravitacional tão poderosa que nem a luz se consegue afastar, pelo contrário, é engolida pela estrela.

E, se assim é, o que nos preparamos para assistir é a uma explosão, a uma demolição. Até porque as Torres não vão cair para dentro de um buraco, ou não vão cair totalmente. Tem que ser criado um perímetro de segurança porque os destroços se vão projectar a longa distância. [Claro que opiniões mais eruditas dizem que o termo está correcto]

Não é preciosismo de linguagem, mas as coisas devem ser ditas com exactidão e não cair num carreirinho linguístico por onde todos passamos. E os jornalistas são os principais culpados destas situações.

ImprecisõesSeptember 5, 2005 11:12 am

A recandidatura de Mário Soares à Presidência da República é um erro que vai custar esta eleição à esquerda. Não tanto pela idade do candidato, ou pelo facto de se candidatar ao terceiro mandato, mas porque não há razões políticas para avançar, porque não houve uma vaga de fundo na Sociedade Portuguesa que o tivesse chamado a esta luta e porque não é consensual no seio do Partido Socialista.

Ao contrário de alguns informados comentadores aqui da blogosfera não vou votar Mário Soares. Não tanto pelo seu passado de queima de bandeiras (para o qual não serve o argumento da simbologia de repulsa pelo Estado vigente à altura, porque quem queima uma bandeira não ataca o Governo de uma Nação, mas a Nação em si) ou de brejeira má educação (ainda a célebre frase atirada ao “Sô polícia”), mas porque dele nos ficarão sempre estas imagens, que o fazem perder credibilidade perante uma imagem de competência e de sentido de Estado da outra candidatura, a de Cavaco Silva. E confesso que não me lembro da “sangrenta repressão estudantil” contrariada pelo, então, Presidente Mário Soares, que o Filipe Moura alude como ponto de referência do seu mandato. [Ler]

Imprecisões 9:26 am

O centro do Furacão Katrina, vista aérea.

Impressiona ver a dificuldade com que os Estados Unidos estão a lidar com os seus concidadãos pobres de Nova Orleães. Impressiona ver o abandono a que foram votados e os esforços tardios de os ajudar. E impressiona ver, sobretudo, que o primeiro esforço para resolver a situação tenha sido o envio de tropas para repor a ordem a qualquer custo, atirando a matar se necessário fosse, desprezando por completo as necessidades mais primárias dos excluídos do sistema e protegendo o bem mais precioso para aquele Estado, o direito de propriedade.[Ler]

ImprecisõesSeptember 3, 2005 8:23 am

Os Estados Unidos pediram ajuda à Comunidade Internacional. Que ao menos esta tragédia tenha o condão de os trazer para este nosso mundo de interdependência.

A violência aumenta. Há ordem para atirar a matar. E nestas situações, o racismo e o populismo tomam forma de gente. Veremos se o furacão não mata ainda.

ImprecisõesSeptember 2, 2005 3:31 pm

Declaro que tenho intenções. Nunca em relação ao que a este Blog diga respeito.