É assim. Pensamos que podemos fugir mas depois descobrimos que já entrou, como um vício mau, e não há nada a fazer. Vemo-nos por lá.

Não tenho tempo para escrever neste Blog, por isso mais vale terminá-lo que mantê-lo ligado à máquina.
Peço ao Cogumelo; ao Marco ; ao Zero, que me lincaram, que me perdoem a eutanásia e o trabalho de apagar o link.
Aos visitantes ocasionais que foram passando, não percam mais tempo aqui. A todos, muito obrigado pela paciência e pelos simpáticos comentários.
Vou continuar por aí, como visitante, como faço desde 2003, altura em que descobri a Blogosfera. Mas por aqui, finito est.


Carsten Peter (na primeira imagem) é um fotógrafo alemão que filma a natureza extrema. Trabalha para as mais conceituadas revistas, incluindo a National Geografic.
Vi há pouco um documentário com este senhor. Há nele uma infantilidade, na forma como lida com situações extremas, com o medo, que é extraordinária. A inconsciência ao serviço de nós todos resulta nestas imagens fabulosas, onde os modelos, que servem aqui para definir a escala, e o próprio fotógrafo, arriscam a vida com o fim único de nos dar a conhecer o que o mundo é, nestas paragens. E ficou-me dessa reportagem a chamada de atenção do responsável pela segurança da expedição que, ao jantar, se insurgiu com tamanha infantilidade e com o desrespeito pelas mais elementares regras de segurança. Foi ignorado e desse desrespeito pelas normas resultaram imagens de dois membros da expedição, montados num bote de borracha, a remar num lago ácido (que se forma aquando das erupções vulcânicas) que podia corroer aço!

Não sou de comoção fácil, mas não pude deixar de verter uma lágrima ao ver este filme. Baseado em factos verídicos, retrata o genocídio da população Tutsi pela minoria Hutu no Ruanda. A crueldade, o menosprezo pela vida, o sofrimento inqualificável, comovem. E depois, a vergonha de pertencer a este lado Ocidental do mundo que abandonou aquela gente à sua sorte. Se há uma imagem que me ficará é a da evacuação dos cidadãos Ocidentais por tropas especiais, deixando os nativos ao seu destino, a morte. Um milhão de mortos em meia dúzia de dias foi o resultado sangrento da Revolução.
Lembro-me de ver as imagens na televisão ao tempo, em 1994. Mas a perspectiva humana, a dor das crianças e das mães, o massacre vivido na primeira pessoa, não passa nas notícias. E como dizia um fotógrafo no meio daquele massacre, as pessoas dirão “que horror, Meu Deus!” e continuarão o jantar.
Por falar em Deus, em que filha da puta de lua se esconde o Criador quando cá em baixo se mata desta forma? Que desígnios são estes?
Para terminar gostaria apenas de relembrar que o ódio racista e xenófobo leva a isto. Dá que pensar. Se alguma coisa nos distingue, não é, de certeza, a cor da pele… Nem o facto de termos nascido no outro lado da vida.

Arko Data, India, Reuters
A mulher chora pelo parente morto no Tsunami. Cuddalore, India, Tamil Nadu, 28 de Dezembro de 2004.

Paul Vreeker, Holanda, Reuters.
Um Iraniano que se manifesta pela política de asilo da Holanda. Fevereiro de 2004.

Bob Martin, United Kingdom, Sports Illustrated.
O nadador espanhol Xavi Torres na partida para os 200 metros livres nos Jogos Paralimpicos em Atenas. Setembro de 2004.
Para verem todos os prémios em todas as categorias >> aqui

A utilização da luz (e da cor), não no caso específico de Gös, mas também, é aquilo que traça a ténue linha que divide o erotismo e a pornografia. Adivinhar, mais do que ver, é a fronteira.
Falta de tempo revela falta de método.
E é desse tempo, ou método, que sinto falta para actualizar o Blog. E tenho alguma urgência em fazer por aqui uma mudança que é dar-lhe música.
Eu sei, eu sei… é uma ideia batida, feita por muitos, com gostos variados e que, no fundo, não acrescenta realmente nada ao conteúdo… mas é exactamente por isso que penso que se poderá fazer algo diferente.
A música que por aí se ouve é comercial; está nos blogs, mas também está na rádio e nos escaparates da lojas e, mais tarde ou mais cedo,acabará por ficar lá pela prateleira, esquecida porque é pobre, momentânea, passageira… Nada de novo, portanto.
E depois, há que escolher música ligeirinha de digestão, não vão os visitantes enjoar-se. Esta é uma das formas de estar que mais me tiram do sério, o fazer para a plateia. Sempre acreditei que devemos fazê-lo, simplesmente, e se isso nos trouxer leitores, tanto melhor… Desde que nos dê prazer, ou alguém espera enriquecer com isto?
Para chegar ao que me trouxe. E que tal se vos desse Jazz. Eu sei, eu sei que os vossos ouvidos ainda não aguentam alguns sons mais experimentais, mas, e se eu vos desse um som agradável, para vermos se começamos a ouvir. E que tal um Miles. Nem é tarde, nem é cedo… É para Jazz.
Entenda-se este para jazz numa perspectiva lata… de para breve. Maldito método que me escapa.
Por impedimento profissional não tenho actualizado o blog com a frequência que pretendo. Mas fica aqui a promessa que ainda hoje o farei.
Porque raio é que estou a escrever isto, se só eu leio este blog? A demência toma-me… é o que é!
Quem não conhece Spencer Tunick? Talvez o nome não diga de si, mas toda a gente conhece o seu trabalho de fotografias de grupo integrados com a paisagem. Deixo aqui algumas imagens com apenas um ou dois modelos.


O Salú era um cão ranhoso. Não havia nele traço de pedigree, era rafeiro até às unhas negras, e tinha pêlo seco e manchado onde o castanho assumia tonalidades repugnantes. Não tinha amo nem casa e vagueava pela aldeia como uma alma perdida, escorraçado pelos putos e pelos pais. Já se tinha pensado em terminar-lhe a existência, mas para tanto era preciso pôr-lhe as mãos em cima e a repulsa sentida em consenso unânime nunca permitira semelhante caçada. Era um desgraçado que, para comer, revolvia todos os caixotes e sacos de lixo largados na rua, mal apertados e cheios de moscas. Até estas se afastavam quando chegava o Salú, elas, a quem nem a merda repugna. E eram tantas as carraças e outros parasitas que, para que pudesse comer, tinham que lhe fugir da boca. Mais valia mantê-lo vivo que procurar outra morada.
Não se lhe conheciam familiares ou amigos. Terá sido abandonado, ainda novo, por um caçador que por ali matou e nunca outro semelhante se lhe tinha abeirado. Fugiam, rabo entre as pernas, não porque fosse reles ou grande, mas tão só porque enojava à vista. E na miséria da sua existência já há muito que o pensamento o abandonara.
Um dia, viu a recém chegada à aldeia e embeiçou-se. Tentou uma aproximação à cadela mas esta fugira, aterrada. Esperou-a, escondido, e quando esta se lhe chegou, apareceu-lhe. A pobre gelou no pânico e caiu por terra, já sem vontade ou querer. O Salú cercou-a, esperou que as carraças lhe subissem da barriga para as costas e montou-a. A cadela ganiu e calou-se e teve que aguentar, sem alma, que o animal se despegasse.
Nunca mais a viu. Diz-se na aldeia que se atirou para a frente de um carro quando percebera que estava prenhe. O Salú deixou-se arrastar para a escuridão, mudou de morada para uma anilha do esgoto e abdicou de comer como forma de atiçar as carraças. Na sua imensa cobardia não conseguia acabar-se e esperou… Pouco tempo depois as carraças impacientaram-se com a falta de alimento e, em menos tempo que tempo nenhum, deixaram-no carcaça, sem pele, só osso.
Não houve vivalma que lhe sentisse a falta.… e de há dois dias para cá, desde que descobri que o meu vizinho tem uma ligação Wireless, não gasto um tostão em internet
Depois do comentário do meu único leitor, o Cogumelo, pensei melhor nisto e, não deixando de estar ligado ainda à rede Wireless do meu vizinho, gostaria de lançar daqui um desafio ao meu caro amigo (permite-me) Marco Santos do Bitaites; fazer, num dos Bits&Bytes, um tutorial para ajudar os leitores e proprietários de redes destas a livrarem-se de usurpadores (como este que vos escreve). Que te parece?Nasceu, segundo dizem o Bitaites e a Blogotinha, mais um Blog parasita, do Bruno Nogueira, que é aquele gajo que parece uma girafa e que tem a mania que é importante para não permitir comentários, e está excelente.
Chama-se Corpo Dormente, deve ter sido da queda que, com aquele tamanho, já se sabe, e pode ser visitado carregando neste Link que vai bater o record do Guiness como o maior do mundo. Vão lá, andando.O passar do tempo. A cristalização da Juventude.
Este é o site que mais me surpreendeu nos últimos anos. Chama-se Time e diz de si:
Um ritual familiar surpreendente. Vejam o passar do tempo aqui.On June 17th, every year, the family goes through a private ritual: we photograph ourselves to stop a fleeting moment, the arrow of time passing by.

